o empreiteiro

Posted in arquitectura on Novembro 9, 2008 by artitecto


Mal sabiam os “mini drunfes” do testemunho e consciência interventiva e de alerta que estavam a deixar aos anos 90 quando escreveram para o seu álbum “tudo bons alunos” a música do “empreiteiro” (Zombie). No tempo em que uma discoteca só era boa se tivesse uma piscina (??!!??) o primeiro alerta para a ignorância do planeamento e construção avulsa e violenta foi dado a conhecer a um espectro da população numa verdadeira chamada de alerta com nomes, embora não fosse só essa a intenção de tão precisa canção. Hoje temos pena (cidadãos em geral) de não ouvirmos essa canção mais vezes e de ela não se ter tornado obrigatória em todos os halls dos Departamentos de Planeamento e Urbanismo das Autarquias Nacionais.

Mas não descuremos ainda este tema musical “bem fixe” pois a percentagem de empreiteiros é ainda exponencialmente maior que a dos construtores, em Portugal.

Só quando o empreiteiro desaparecer (tal e qual como os dinossauros, é trágico eu sei mas tem que ser e as gerações futuras agradecerão e conseguirão sempre vê-los mais tarde incrustados numa placagem de granito “Pedras Salgadas” que eles tanto gostam num sanitário qualquer) poderá a construção, através dos construtores no seu lugar, proporcionar a todos os cidadãos uma mais valia efectiva e não como agora somente uma mais valia para as autarquias. Essa classe (??!!?!) que ainda hoje singra pelo país, para mal dos nossos pecados (que também são muitos é claro) dificulta-nos a aplicação das diversas soluções que julgamos serem as correctas fazer ao planeamento e à construção. Empreiteiros para a escola já (eu sei que é um acto kamikaze, até porque alguns deles já são praticamente arquitectos, só lhes falta um bocadinho assim !!!??!!!!). Junto com cada saco de cimento deveria ser obrigatório levar como oferta um livro de arquitectura (podia ser só de imagens ou fotos até) sobre o qual era feito um questionário na hora de “carregar a placa”. Se as respostas fossem satisfatórias o empreiteiro passava a construtor, se fossem insatisfatórias, bem……………..

denúncia de um crime anunciado

Posted in arquitectura, fotografia on Outubro 11, 2008 by artitecto

Abre-se a porta.

Um corredor. Altas e caladas as portas apresentam-se. O cheiro faz-me recuar 20 anos.

Nota-se a presença de alguém.

Num papel claramente deixado para trás, reconhece-se o nome de alguns.

Longe de tudo, invadida por uns quantos que se dizem da arte de representar.

Tristes.

Criminosos que a violaram!

Figuras que nos entram diariamente pelos olhos dentro sem sequer pedirem.

O programa é claro.

Espaço para o encontro das Artes.

Espaço para tratar, alma para manter.

Artes para amar!

Artes para encontrar. No espaço.

“As Peixeiras” VS “As Meninas da Zara”

Posted in arquitectura on Outubro 5, 2008 by artitecto

“Se uma peixeira dá de certeza uma tareia a uma menina da loja Zara, também o Mercado do Bolhão tem de dar uma tareia a um shopping. É certo! “
(ob. cit. eu mesmo)

Quando se opõem os valores materiais (money) aos valores imateriais (cultura / identidade / humanidade), o desfecho é quase sempre o mesmo, a vitória da matéria sobre a não matéria, embora e no fim de contas, a não matéria seja o fim de toda a matéria (!!??!??).

Porquê trocar uma “Peixeira” espirituosa por uma “Menina da Zara” carnosa? Bem, trocar eu sei qual é que trocava por qual, mas aqui há outras questões em jogo. A Cidade. E a Cidade precisa mais, para o seu património cultural e construído, de um Mercado do Bolhão revitalizado e de uma “Peixeira” espirituosa com densidade humana e capacidade comunicativa, do que de mais um shopping (boring) e de uma “Menina da Zara”, jeitosa sem dúvida, mas que muito pouco de indivíduo acrescenta ao seu meio.

É deveras deprimente pensar que se propõe um shopping, uma máquina incaracterística e fechada, no lugar de um Marco único de abertura à Cidade e identidade colectiva como o Mercado do Bolhão. E se alguém propõe isso, eu, e nós, só temos que propôr o contrário. Preservar e Reabilitar. Nós Arquitectos, Artístas e Artitectos.

Agora tenho de ir, vou passar tempo para a Zara.

#1098

Posted in fotografia on Setembro 22, 2008 by artitecto

sente-se o cheiro dele.

adivinha-se a sua textura. a sua pele. velha decerto.

com tantas histórias para contar,e eles com tão pouco tempo para ouvir.

gente sem tempo. e tão pouco ocupada.

o que fazem, só eles sabem.

pouco fazem. mas não têm tempo.

da janela II

Posted in arquitectura on Setembro 18, 2008 by artitecto

da janela I

Posted in arquitectura on Setembro 17, 2008 by artitecto

dela aberta dá para ver que as coisas estão paradas.

em melgaço chove, e o temporal parece não querer acalmar para aqueles lados. a cidade nunca mais será a mesma.

está frio. é hora de almoço.

pergunto ao Morais se viu a Graça.

- qual Graça ? -pergunta ele.

- a Cheia. -respondo eu.

- qual Cheia? -pergunta ele.

- a Cheia de Graça. -respondo eu- a Graça, Morais!

é uma pena…

Posted in arquitectura on Setembro 17, 2008 by artitecto


que a cidade de Melgaço não tenha aproveitado a oportunidade do concurso de arquitectura da Escola Superior de Desporto para adquirir, para o seu espólio cultural construído, um edifício surpreendente e estimulante, ficando-se antes pelo marasmo e monotonia de uma solução milhares de vezes revisitada de mais um “caixote” (tinha que utilizar uma expressão mais senso comum e menos técnica para melhor transmitir a mensagem visual a toda a gente) que tanto podia ser uma escola como um edifício de habitação colectiva com comércio no piso inferior e estacionamento em cave!!!??!!?….deprimente. Ainda bem que a inserção na envolvente e a qualidade conceptual faziam parte dos itens de avaliação do concurso (para quem do júri souber o que isto quer dizer……… acho que foram poucos).
E não foi só o projecto escolhido para vencedor a desiludir, foram também o 2º e o 3º lugar. Eram em tudo semelhantes ao 1º classificado, deixando no ar alguma perplexidade – Como é que se distinguiu e destacou o 1º do 2º classificado e principalmente do 3º classificado? Pelo número de estacionamentos? Pela cor do lettering? Leva-nos a pensar que o júri já tinha uma ideia “construída” daquilo que era a solução certa (??!!??!!) para aquele terreno, como que dizendo: Para o terreno a concurso a resposta certa é………..vamos lá, o tempo está a acabar…………muito bem, a caixa, parabéns acertou! (suspiro…) – Vai combinar mesmo bem com os edifícios desenxabidos que existem do outro lado da rua. Até a cor é igual. E está na moda!….. A cor.

Assim é difícil uma cidade, e um Município, promover o intelecto dos seus cidadãos, deixando-os antes em um marasmo e uma “ignorância arquitectónica” que os condiciona a cada vez “comerem” mais do mesmo. Em vez de lhes variar a “ementa” do património construído.

Resta esperar que a decisão da escolha de projecto tenha sido tomada pelos membros do júri que não possuíam formação na área de projecto de arquitectura ( e possivelmente qualquer outra formação de vertente artística ) e que normalmente têm o poder decisivo nestes eventos (de evento, só faltavam os noivos naquele caloroso acto… púb(l)ico, claro está)
Finalizando, a única “ementa” que posso sugerir a quem for a Melgaço é o do restaurante Panorama, esse sim verdadeiro centro de cultura e estímulo gastronómico. Embora seja algo triste dizer que o melhor “prato” que me podem servir em Melgaço não é a arquitectura mas é antes “carne com batatas”…

o vernáculo na Artitectura Melgacense, sem estrangeirismos, de linguagem pura.

espetacular.



cerveira 2008

Posted in arte on Setembro 6, 2008 by artitecto

auto-retrato+retrato.

helena almeida

“saída negra” – fotografia – 310×125cm

IV bienal 1984

esCutA

Posted in arquitectura on Agosto 29, 2008 by artitecto